EU City Lab sobre mobilidade ativa: conheça os resultados
Ao longo de dois dias de workshops, visitas de estudo e exercícios práticos, os participantes exploraram soluções concretas, partilharam aprendizagens e analisaram novas abordagens para integrar a caminhada, a bicicleta e os transportes inclusivos no quotidiano urbano, reforçando a qualidade de vida e a habitabilidade das cidades europeias.
Enquadramento político e visão estratégica
A sessão de abertura contou com a intervenção de Christoph Holstein, Secretário de Estado do Ministério do Interior e do Desporto de Hamburgo, que destacou a forte ligação entre mobilidade ativa — caminhar e pedalar — e estilos de vida urbanos mais saudáveis, ativos e sustentáveis.
Este enquadramento abriu caminho à sessão plenária ‘Moving differently, living better: The active mobility revolution’, na qual Marianne Weinreich, especialista em mobilidade ativa, sublinhou que a mobilidade ativa é um fator-chave para cidades LIFE — Liveable, Inclusive, Free and Engaged. Cidades habitáveis colocam as pessoas no centro; cidades inclusivas garantem deslocações seguras para todos; cidades mais livres beneficiam de menos ruído, poluição e sedentarismo; e cidades envolvidas promovem ligações mais fortes entre as pessoas e o seu território urbano.
Active Mobility Gallery: partilha e aprendizagem entre cidades
A Active Mobility Gallery reuniu experiências e projetos de mobilidade ativa apoiados pela EUI, pela Iniciativa Urbana Inovadora (Urban Innovative Actions, UIA) e pelo URBACT. Participaram cidades como Bruxelas, Faenza, Turku, Coimbra, Pombal, Varaždin e Hamburgo, que apresentaram ações locais, lições aprendidas e o potencial de transferência destas soluções para outros contextos urbanos.
As discussões permitiram evidenciar desafios e abordagens diferenciadas:
- Bruxelas (BE) centrou-se na mudança comportamental, na acessibilidade, na intermodalidade e na reatribuição do espaço urbano, incluindo incentivos dirigidos às famílias, como benefícios fiscais para bicicletas de carga;
- Varaždin (HR) destacou o papel determinante do compromisso político, particularmente em cidades de menor dimensão, onde intervenções de pequena escala podem gerar impactos relevantes;
- Pombal (PT) colocou o enfoque na transformação de uma cultura fortemente dependente do automóvel, sublinhando a importância da comunicação transparente, do acesso equitativo e da inclusão intergeracional;
- Turku (FI) abordou questões de segurança, intermodalidade e planeamento ao longo de todo o ano, evidenciando desafios específicos associados ao inverno.
- Faenza (IT) evidenciou uma abordagem fortemente participativa, recorrendo a mecanismos criativos de envolvimento e a ferramentas de gamificação para reforçar a segurança e a participação cívica;
- Coimbra (PT) destacou-se pelo uso estratégico de dados como base para um planeamento informado, inclusivo e assente em evidências;
- Hamburgo (DE) promoveu a reflexão sobre a gestão de grandes volumes de dados, a capacidade técnica das administrações locais e a implementação de zonas temporárias sem automóveis em torno das escolas.
Experiências no terreno: mobilidade ativa vivida em Hamburgo
As visitas de estudo permitiram experienciar soluções concretas de mobilidade ativa no contexto urbano de Hamburgo. No Dialoghaus ‘Dialog im Dunkeln’, os participantes foram guiados por anfitriões com deficiência visual, numa experiência imersiva que evidenciou, de forma particularmente clara, o significado de acessibilidade, confiança e orientação na conceção dos serviços de mobilidade.
Foi igualmente apresentado um projeto apoiado pela EUI, o CUSTOM Project, centrado na promoção da mobilidade inclusiva através de uma aplicação digital de acessibilidade que apoia deslocações autónomas de pessoas com deficiência, testada diretamente no espaço urbano.
A observação da transformação do centro da cidade, nomeadamente na zona de Jungfernstieg, permitiu ilustrar a transição para um espaço urbano com prioridade a peões e ciclistas. Exercícios práticos complementares abordaram a articulação entre percursos pedonais e transportes públicos, reforçando a importância da intermodalidade e da acessibilidade nas estações e nos espaços de interface.
Principais conclusões do EU City Lab
Para além das especificidades de cada cidade, o EU City Lab permitiu identificar aprendizagens transversais relevantes para o desenvolvimento de políticas de mobilidade ativa e inclusiva:
- Mudança comportamental continua a ser um dos maiores desafios, devido a hábitos enraizados e à persistência da ‘mentalidade do automóvel’. A experiência das cidades demonstrou, contudo, que uma comunicação clara, o envolvimento local e um planeamento realista podem transformar resistência em participação;
- Acessibilidade e inclusão fortalecem-se através de processos participativos e de cocriação, combinando ferramentas digitais com contacto humano;
- Intermodalidade e transição modal dependem do alinhamento entre infraestruturas, cultura urbana e estratégias de comunicação, como evidenciado pelo caso de Pombal;
- Articulação urbano-rural beneficia de soluções integradas à escala regional, como demonstrado por Turku, através de sistemas de bilhética e partilha de bicicletas, e por Coimbra, através da utilização de dados regionais;
- Reatribuição do espaço público e implementação de zonas de tráfego reduzido exigem comunicação transparente, inclusão e benefícios locais visíveis, para evitar processos de exclusão e promover a aceitação social;
- Segurança emergiu como tema transversal, evidenciando que soluções eficazes resultam de desenho inclusivo, cocriação e utilização sistemática de dados, mais do que de medidas isoladas de fiscalização.
Continuidade e próximos passos
O trabalho do Policy Lab da EUI sobre mobilidade integrada e ativa prosseguiu com uma série de grupos focais online, destinados a validar e aprofundar os resultados iniciais, promover a aprendizagem entre pares e envolver uma comunidade mais alargada de atores urbanos.
O primeiro webinar, ‘Under the Surface: The Infrastructure and Systems Powering Active Mobility’ (10 de novembro de 2025), centrou-se nas infraestruturas e nos sistemas operacionais de apoio à mobilidade ativa. O segundo, ‘Shifting Mindsets: Behavioural and Inclusive Pathways to Active Mobility’ (21 de novembro de 2025), abordou a mudança comportamental e a inclusão, explorando o papel da comunicação, da participação e do acesso equitativo na promoção de uma mudança cultural duradoura.